Marta e o nó de três dobras

Um casamento tem que estar bem amarrado pelo amor para dar certo. O problema de um casamento com apenas dois nós, ou seja, sem Deus, o terceiro nó, é que, egoístas e desinteligentes, tendem a não durar. Casando, você decide deixar sua liberdade de lado. Mas o marido ou a esposa não deixará de ser, só por causa do casamento, uma individualidade. Entre Martas e Marias, Martas provavelmente não entendem isso. E azar daquele infeliz marido que se casar com uma Marta da vida! Elas são necessárias, mas o que importa mesmo é a vida espiritual que elas desdenham.

Martas lidam com o casamento como um regime de direitos e deveres extremo. Deveres para eles, direitos para elas. O filósofo Blase Pascal diria que é um espírito geométrico, ou seja, é oito ou oitenta, pois nada pode estar fora do lugar. Uma toalha molhada em cima da cama já é motivo de divórcio.

Lucas 10: “E aconteceu que, indo eles de caminho, entrou Jesus numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa; E tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, assentando-se também aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra. Marta, porém, andava distraída em muitos serviços; e, aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe que me ajude. E respondendo Jesus, disse-lhe: Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária; E Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada.”.

Martas acham que têm apenas obrigação de deixar a casa arrumada, mesa pronta, filhos na escola, roupa lavada, passada. Marias sabem lidar com as nuances de um casamento a três. Seriam elas as misteriosas mulheres virtuosas? Este terceiro que deve caminhar com o casal não é a sogra, o sogro, nem poliamor, nem o juiz. É um casamento em que Deus está acima das vontades dos cônjuges ou até mesmo do que o casal decidir de comum acordo entre eles.

Martas da vida pensam erroneamente que o salário todo do marido tem que ir para as despesas da casa. Para maridos que ganham bem, a sobra não lhes pode servir nem para comprar sapatos novos. Mas tanto o salário do marido quanto o da mulher que trabalha fora é de cada um deles, não entrando na comunhão de bens. Claro que a obrigação legal do casal é contribuir para as despesas da casa, por isso geralmente quando não tem muito o que sobrar dá aquela briga.

Estabelece o Código Civil que os cônjuges são obrigados a concorrer, na proporção de seus bens e dos rendimentos do trabalho, para o sustento da família e a educação dos filhos, qualquer que seja o regime patrimonial. Ou seja, o salário é de cada um deles. Ainda, a mesma lei impõe que tanto no regime de comunhão parcial de bens quanto no de comunhão universal estão excluídos da divisão entre os cônjuges os rendimentos do trabalho de cada um deles.

Briga de marido e mulher parece cabo de guerra. Um puxa de cá e o outro puxa de lá. Mas se a corda tiver um nó de três dobras não se arrebentará facilmente.

Sergio Renato de Mello é defensor público de Santa Catarina, colunista do Jornal da Cidade Online e Instituto Burke Conservador, autor de obras jurídicas, cristão membro da Igreja Universal do Reino de Deus.

* O conteúdo do texto acima é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

Leia o artigo anterior: Se Deus não existe, quem mantém o barco?

 

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