Coragem pra não ser atual!

Atualizar-se é uma coisa. Concordar com tudo que acontece na atualidade é outra bem diferente. E este é o nosso ponto, pois de formas às vezes velada, às vezes escancarada, todo um sistema cultural nos pressiona para sermos atuais, gostando ou não do cardápio que nos é oferecido.

O problema é que “ser atual” no contexto vigente é algo muito subjetivo. Ou seja, você é atual “se”… aceitar as tendências que a cultura impõe, se concordar com todas as pautas ideológicas que estão sendo exaustivamente e massivamente pregadas, se aprovar as leis que afrontam diretamente a fé na qual você aprendeu, se aplaudir tudo que a indústria do entretenimento produz para jovens, adultos e crianças, se professar sua fé no privado e não interferir na vida pública, enfim, se for uma marionete boazinha, submetendo-se  a tudo que o sistema prega e define como “atual”.

Resultado? Confusão, muita confusão! Vejo pessoas perdidas, sem direção, cheias de dúvidas. E falo de gente que em tempos passados, e próximos, tinham plena convicção de sua fé. Hoje, no entanto, já não se garantem, já não sabem defender a razão de sua fé, já não conseguem uma abordagem inteligente com os filhos. Hoje, diante de tantas perguntas sem respostas, estão se culpando e perguntando, onde foi que eu errei? Devo ou não aceitar a agenda desses novos tempos?

Por outro lado, estar atualizado é necessário. É preciso saber o mínimo sobre questões complexas que assolam nosso tempo. E este é um outro tipo de atualização, que foca nos fatos e eventos que estão contando a história em tempo real. E aqui a dificuldade é gigantesca, pois uma vez que estamos dentro dos fatos e eventos como atores, nossa visão fica limitada ao nosso entorno, sem conseguir discernir os desdobramentos de tudo que está acontecendo.

Percebe a sensação de impotência, insuficiência e fragilidade? Simplesmente é impossível acompanhar o volume de informação nova que surge a cada novo dia. Então como selecionar o que é sério? O que é relevante? Como prever se algo é bom ou ruim? Sem respostas fáceis muitos acabam optando pela resposta mais fácil, ou pelo menos aquela que aparenta estar em sintonia com este tempo, ou seja, “preciso me atualizar!”.

E “atualizar” neste contexto de pressão, confusão e muita dúvida, é fazer o que a maioria faz, aceitar o que a maioria aceita, se comportar como a maioria se comporta, acenar positivamente com a cabeça diante daquilo que o sistema quer que engulamos goela abaixo, sem confrontar, sem questionar, sem refletir.

Ufa! Frente a tal cenário é preciso de muita, mas muita coragem mesmo. É preciso coragem pra não se deixar laçar pelas armadilhas que exigem que sejamos “atuais”. No século XVIII viveu um homem que já em sua época fez o mesmo questionamento que faço neste texto. De forma cirúrgica ele disse: “Cada época é salva por um pequeno punhado de homens que têm a coragem de não ser atuais”, Charles Spurgeon.

Exatamente como afirma o Salmo 22:30, “Uma semente o servirá de geração em geração”. A semente do Senhor, independente de crises e princípio de dores, também está presente nesta geração. Uma semente que tem a ousadia, a coragem, de não ceder a pressões, que faz questão de não ir na onda do que significa para os poderosos deste mundo “ser atual”. Sejamos atuais na Palavra, esta que foi escrita num intervalo de 1.500 anos e que está conosco faz séculos, esta palavra antiga, sim, porém sempre atual.

Edmilson Ferreira Mendes é escritor, pastor, teólogo, observador da vida.

* O conteúdo do texto acima é uma colaboração voluntária, de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

Leia o artigo anterior: “Não temas, ó pequeno rebanho”

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